Como prometido, hoje estive lá na H&M para conferir de pertinho a coleção da Lanvin. O clima era de exclusividade! Fora da loja já enfrentei uma fila onde foram distribuídas pulseiras com cores e horários diferentes. Dentro da loja, a coleção foi organizada em setores especiais onde um número reduzido de pessoas tinham acesso, o que diminuiu em muito a confusão e os atropelos, mas não conseguiu evitá-los por completo. Não importava se era um acessório, um vestido ou um enxoval, todos queriam ter pelo menos alguma coisinha com a tão sonhada assinatura Lanvin.
Confesso que fiquei bem dividida. Como consumidora estou decepcionada, ou talvez frustrada seja a palavra certa, as peças não corresponderam nem um pouco ao meu imaginário de uma roupa Lanvin! E o acabamento, nossa, ficou muito longe do que é esperado de uma marca de alta-costura. (esse comentário não se aplica à coleção masculina que, particularmente, achei impecável!) E aí me pergunto: vale a pena comprar uma roupa com as bordas do tecido desfiadas só porque na etiqueta diz que é um Lanvin?! Sinceramente tenho as minhas dúvidas, mas para muitas pessoas, vale! Afinal, milhares de sacolas personalizadas da Lanvin e H&M invadiram as ruas de Londres.
Por outro lado, como comunicadora de moda, acho que a coleção e tudo o que envolveu o seu lançamento foi um sucesso! Os teasers, os vídeos, as fotos, toda a expectativa criada nos sites e blogs, a identidade visual, as vitrines, as sacolas, as capas de proteção dos vestidos, os cabides, as caixas! Enfim, no quesito envolver e deslumbrar a H&M e a Lanvin estão de parabéns!
Contudo, a grande verdade é que sinto-me como aquelas crianças que quando ganham um presente ficam encantadas e preferem brincar mais com a embalagem do que com o conteúdo. Uma pena que isso tenha acontecido, pois não consigo me isentar da opinião de consumidora que ficou tantos meses ansiosa aguardando esse momento. Espero que outras pessoas também percebam isso e reclamem, pois só assim conseguiremos mais respeito e produtos de qualidade. Ou acham que só por ser uma parceria com uma loja de fast fashion não é necessário acabamento?!
Texto adaptado da publicação na revista Fino Trato.